Portuguese poem
Maternidade
by Olavo Bilac (1865–1918)
"O Senhor disse à mulher: Por que fizeste isto? Eu multiplicarei os teus trabalhos!" (Gen., cap. III.)
Ventre mártir, a rútila visita Do amor fecundo te arrancou do sono: E irradias, lampejas como um trono De animado marfim que à luz palpita!
Ergues-te, em esto de orgulhoso entono: Fere-te enfim a maldição bendita! Tens o viço da Terra, quando a agita, Rico de orvalhos e de sóis, o outono.
Augusto, em gozo eterno, o teu suplício... Feliz a tua dor propiciatória... - Rasga-te, altar do torturante auspício,
E abra-se em flores tua alvura ebórea, Ensangüentada pelo sacrifício, Para a maternidade e para a glória!