Portuguese poem
Meio-dia
by Olavo Bilac (1865–1918)
Meio-dia. Sol a pino. Corre de manso o regato. Na igreja repica o sino; Cheiram as ervas do mato.
Na árvore canta a cigarra; Há recreio nas escolas: Tira-se, numa algazarra, A merenda das sacolas.
O lavrador pousa a enxada No chão, descansa um momento, E enxuga a fronte suada, Contemplando o firmamento.
Nas casas ferve a panela Sobre o fogão, nas cozinhas; A mulher chega à janela, Atira milho às galinhas.
Meio-dia! O sol escalda, E brilha, em toda a pureza, Nos campos cor de esmeralda, E no céu cor de turquesa...
E a voz do sino, ecoando Longe, de atalho em atalho, Vai pelos campos, cantando A Vida, a Luz, o Trabalho.