Portuguese poem
Messalina
by Olavo Bilac (1865–1918)
Recordo, ao ver-te, as épocas sombrias Do passado. Minh'alma se transporta À Roma antiga, e da cidade morta Dos Césares reanima as cinzas frias;
Triclínios e vivendas luzidias Percorre; pára de Suburra à porta, E o confuso clamor escuta, absorta, Das desvairadas e febris orgias.
Aí, num trono erecto sobre a ruína De um povo inteiro, tendo à fronte impura O diadema imperial de Messalina,
Vejo-te bela, estátua da loucura! Erguendo no ar a mão nervosa e fina, Tinta de sangue, que um punhal segura.