Portuguese poem
Miguel Ângelo Velho
by Olavo Bilac (1865–1918)
"Vieram-lhe o amor e a poesia, no declínio da vida. Na mocidade, foi de costumes austeros. Aos cinqüenta e um anos, conheceu Vittoria Colonna; escreveu para ela canções, sonetos, madrigais, exaltação do cérebro, temperada de misticismo; ela admirou- o, mas não o amou. Quando Víttoria morreu, Buonarrotti beijou a mão do 'cadáver, não ousando beijar-lhe a fronte." (M. MONNIER - La Renaíssance.)
E pensava: - "Perder a chama peregrina, Que extrai da pedra um Deus, do barro imundo um Santo; E este punho, que alçou a cúpula divina
De São Pedro, e amassou "Moisés" de luz e espanto;
E esta alma, que arquiteta os mundos na oficina: O "Dia", força e graça, e a "Noite", sombra e encanto, E o "Juízo Final" da Capela Sixtina E "Judit", flor de sangue, e "Pietà", flor de pranto;
Tudo: tinta, pincel, escopro, camartelo, Ouro, fama, poder, glória, gênio, virtude, - Por um milagre só, no amor que me abandona:
Morrer, e renascer ardente, moço, belo, E, como o meu "Davi", clarão de juventude, Aparecer, sorrindo, a Vittoria Colonna!"