Portuguese poem
Milton Cego
by Olavo Bilac (1865–1918)
Desvendava-se ao cego o mistério: (As idades Sem princípio; de sol a sol, de terra a terra, A eterna combustão que maravilha e aterra, Geradora de bens e de ferocidades;
Cordilheiras de espanto e esplendor, serra a serra, De infinito a infinito; asas em tempestades, Tronos, Dominações, Virtudes, Potestades, Luz contra luz, furor de chama e glória em guerra;
E os rebeldes, rodando em rugidoras vagas; E o Éden, e a tentação, e, entre o opróbrio e a alegria, O amor florindo ao pé da amaldiçoada porta;
E o Homem em susto, o céu em ira, o inferno em pragas; E, imperturbável, Deus, na sua glória!...) Ardia O poema universal numa retina morta.