Portuguese poem
Medalha Antiga
by Olavo Bilac (1865–1918)
(Leconte de Lisle.)
Este, sim! viverá por séculos e séculos, Vencendo o olvido. Soube a sua mão deixar, Ondeando no negror do ônix polido e rútilo, A alva espuma do mar.
Ao sol, bela e radiosa, o olhar surpreso e extático, Vê-se Kypre, à feição de uma jovem princesa, Molemente emergir à flor da face trêmula Da líquida turquesa.
Nua a deusa, nadando, a onda dos seios túmidos Leva diante de si, amorosa e sensual: E a onda mansa do mar borda de argênteos flóculos Seu pescoço imortal.
Livre das fitas, solto em quedas de ouro, espalha-se Gotejante o cabelo: e seu corpo encantado Brilha nas águas, como, entre violetas úmidas, Um lírio imaculado.
E nada, e folga, enquanto as barbatanas ásperas E as fulvas caudas no ar batendo, e em derredor Turvando o Oceano, em grupo os delfins atropelam-se, Para a fitar melhor.