Portuguese poem
Oração a Cibele
by Olavo Bilac (1865–1918)
Deitado sobre a terra, em cruz, levanto o rosto Ao céu e às tuas mãos ferozes e esmoleres. Mata-me! Abençoarei teu coração, composto, Ó mãe, dos corações de todas as mulheres!
Tu, que me dás amor e dor, gosto e desgosto, Glória e vergonha, tu, que me afagas e feres, Aniquila-me! E doura e embala o meu sol posto, Fonte! berço! mistério! Ísis! Pandora! Ceres!
Que eu morra assim feliz, tudo de ti querendo: Mal e bem, desespero e ideal, veneno e pomo, Pecados e perdões, beijos puros e impuros!
E os astros sobre mim caiam de ti, chovendo, Como os teus crimes, como as tuas bênçãos, como A doçura e o travor de teus cachos maduros!