Portuguese poem
O Vale
by Olavo Bilac (1865–1918)
Sou como um vale, numa tarde fria, Quando as almas dos sinos, de uma em uma, No soluçoso adeus da ave-maria Expiram longamente pela bruma.
É pobre a minha messe. É névoa e espuma Toda a glória e o trabalho em que eu ardia... Mas a resignação doura e perfuma A tristeza do termo do meu dia.
Adormecendo, no meu sonho incerto Tenho a ilusão do prêmio que ambiciono: Cai o céu sobre mim em pirilampos...
E num recolhimento a Deus oferto O cansado labor e o inquieto sono Das minhas povoações e dos meus campos.