Portuguese poem
O Universo
by Olavo Bilac (1865–1918)
A Lua:
Sou um pequeno mundo; Movo-me, rolo e danço Por este céu profundo; Por sorte Deus me deu Mover-me sem descanso, Em torno de outro mundo, Que inda é maior do que eu.
A Terra:
Eu sou esse outro mundo; A lua me acompanha, Por este céu profundo... mas é destino meu Rolar, assim tamanha, Em torno de outro mundo, Que inda é maior do que eu.
O Sol:
Eu sou esse outro mundo, Eu sou o sol ardente! Dou luz ao céu profundo... Porém sou um pigmeu, Que rolo eternamente Em torno de outro mundo, Que inda é maior do que eu.
O Homem:
Porque, no céu profundo, Não há-de parar mais O vosso movimento? Astros! qual é o mundo, Em torno ao qual rodais Por esse firmamento?
Todos os Astros:
Não chega o teu estudo Ao centro d’isso tudo, Que escapa aos olhos teus! O centro d'isso tudo, Homem vaidoso, é Deus!