Portuguese poem
Tercetos
by Olavo Bilac (1865–1918)
Noite ainda, quando ela me pedia Entre dois beijos que me fosse embora, Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:
"Espera ao menos que desponte a aurora! Tua alcova é cheirosa como um ninho.. E olha que escuridão há lá por fora!
Como queres que eu vá, triste e sozinho, Casando a treva e o frio de meu peito Ao frio e à treva que há pelo caminho?!
Ouves? é o vento! é um temporal desfeito! Não me arrojes à chuva e à tempestade! Não me exiles do vale do teu leito!
Morrerei de aflição e de saudade... Espera! até que o dia resplandeça, Aquece-me com a tua mocidade!
Sobre o teu colo deixa-me a cabeça Repousar, como há pouco repousava... Espera um pouco! deixa que amanheça!"
- E ela abria-me os braços. E eu ficava.
E, já manhã, quando ela me pedia Que de seu claro corpo me afastasse, Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:
"Não pode ser! não vês que o dia nasce? A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta... Que diria de ti quem me encontrasse?
Ah! nem me digas que isso pouco importa!... Que pensariam, vendo-me, apressado, Tão cedo assim, saindo a tua porta,
Vendo-me exausto, pálido, cansado, E todo pelo aroma de teu beijo Escandalosamente perfumado?
O amor, querida, não exclui o pejo. Espera! até que o sol desapareça, Beija-me a boca! mata-me o desejo!
Sobre o teu colo deixa-me a cabeça Repousar, como há pouco repousava! Espera um pouco! deixa que anoiteça!"
- E ela abria-me os braços. E eu ficava.