Versos Portuguese Olavo Bilac Tarde (1919)A um poeta

Portuguese poem

Tarde (1919)A um poeta

by (1865–1918)

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Longe do esteril turbilhão da rua, Benedictino, escreve! No aconchego Do claustro, na paciencia e no socego, Trabalha, e teima, e lima, e soffre, e súa!

Mas que na fórma se disfarce o emprego Do esforço; e a trama viva se construa De tal modo, que a imagem fique nüa, Rica mas sóbria, como um templo grego.

Não se mostre na fabrica o supplicio Do mestre. E, natural, o effeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edificio:

Porque a Belleza, gemea da Verdade, Arte pura, inimiga do artificio, E’ a força e a graça na simplicidade.