Versos Portuguese Olavo Bilac Súplica

Portuguese poem

Súplica

by (1865–1918)

Listen in the reader

Falava o sol. Dizia: "Acorda! Que alegria Pelos ridentes céus se espalha agora! Foge a neblina fria. Pede-te a luz do dia, Pedem-te as chamas e o sorrir da aurora!"

Dizia o rio, cheio De amor, abrindo o seio: "Quero abraçar-te as formas primorosas! Vem tu, que embalde veio O sol: somente anseio Por teu corpo, formosa entre as formosas!

Quero-te inteiramente Nua! quero, tremente, Cingir de beijos tuas róseas pomas, Cobrir teu corpo ardente, E na água transparente Guardar teus vivos, sensuais aromas!"

E prosseguia o vento: "Escuta o meu lamento! Vem! não quero a folhagem perfumada; Com a flor não me contento! Mais alto é o meu intento: Quero embalar-te a coma desnastrada!"

Tudo a exigia... Entanto, Alguém, oculto a um canto Do jardim, a chorar, dizia: "Ó bela! Já te não peço tanto: Secara-se o meu pranto Se visse a tua sombra na janela!"