Portuguese poem
Tédio
by Olavo Bilac (1865–1918)
Sobre minh'alma, como sobre um trono, Senhor brutal, pesa o aborrecimento. Como tardas em vir, último outono, Lançar-me as folhas últimas ao vento!
Oh! dormir no silêncio e no abandono, Só, sem um sonho, sem um pensamento, E, no letargo do aniquilamento, Ter, ó pedra, a quietude do teu sono!
Oh! deixar de sonhar o que não vejo! Ter o sangue gelado, e a carne fria! E, de uma luz crepuscular velada,
Deixar a alma dormir sem um desejo, Ampla, fúnebre, lúgubre, vazia Como uma catedral abandonada!...