Portuguese poem
Sonho
by Olavo Bilac (1865–1918)
Ter nascido homem outro, em outros dias, - Não hoje, nesta agitação sem glória, Em traficâncias e mesquinharias, Numa apagada vida merencória...
Ter nascido numa era de utopias, Nos áureos ciclos épicos da História, Ardendo em generosas fantasias, Em rajadas de amor e de vitória:
Campeão e trovador da Idade Média, Herói no galanteio e na cruzada, Viver entre um idílio e uma tragédia;
E morrer em sorrisos e lampejos, Por um gesto, um olhar, um sonho, um nada, Traspassado de golpes e de beijos!