Portuguese poem
Sonata ao Crepúsculo
by Olavo Bilac (1865–1918)
Trompas do sol, borés do mar, tubas da mata, Esfalfai-vos, rugindo, - e emudecei... Apenas, Agora, trilem no ar, como em cristal e prata, Rústicos tamborins e pastoris avenas.
Trescala o campo, e incensa o ocaso, numa oblata. - Surgem da Idade de Ouro, em paisagens serenas, Os deuses; Eros sonha; e, acordando à sonata, Bailam rindo as subtis alípedes Camenas.
Depois, na sombra, à voz das cornamusas graves, Termina a pastoral num lento epitalâmio... Cala-se o vento... Expira a surdina das aves.
E a terra, noiva, a ansiar, no desejo que a enleva, Cora e desmaia, ao seio aconchegando o flâmeo, Entre o pudor da tarde e a tentação da treva.