Portuguese poem
Sinfonia
by Olavo Bilac (1865–1918)
Meu coração, na incerta adolescência, outrora, Delirava e sorria aos raios matutinos, Num prelúdio incolor, como o alegro da aurora, Em sistros e clarins, em pífanos e sinos.
Meu coração, depois, pela estrada sonora Colhia a cada passo os amores e os hinos, E ia de beijo a beijo, em lasciva demora, Num voluptuoso adágio em harpas e violinos.
Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde Em flautas e oboés, na inquietação da tarde, E entre esperanças foge e entre saudades erra...
E, heróico, estalará num final, nos clamores Dos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores, Para glorificar tudo que amou na terra!