Portuguese poem
Semper Impendent
by Olavo Bilac (1865–1918)
Se amas, se da velhice entras a porta escura, Maldize o teu amor, que é um triste adeus à vida! Porque no teu amor de velho se mistura Ao enlevo de um noivo a angústia de um suicida.
Louco! vês entreabrir-se a cova, na doçura Do aconchego nupcial que ao gozo te convida; E, na incerteza atroz da carícia futura, Cada afago te dói como uma despedida.
Sofres um estertor em cada abraço, um grito Em cada beijo, em cada anseio uma saudade: É um rolar, um ferver num inferno infinito!
No desesperador prazer do teu transporte, Sentes a crispação da treva que te invade, O doloroso amargo ante-sabor da morte...