Portuguese poem
Samaritana
by Olavo Bilac (1865–1918)
Numa volta de estrada, em sede insana, Vi-te. Ao lado, a frescura da cisterna. E tinhas a expressão piedosa e terna, Como na Bíblia, da Samaritana.
Deste-me de beber. Mas quanto engana, Às vezes, a piedade, e a esmola inferna! Deste-me de beber da fonte eterna, De onde a torrente dos remorsos mana.
Com a água que me deste (que contraste De ti para a mulher de Samaria!) A boca e o coração me envenenaste:
Maior do que o da sede, este tormento, Esta ânsia singular, esta agonia Que é de saudade e de arrependimento!