Portuguese poem
Um bebê
by Paulo Setúbal (1893–1937)
Um bebê... Ai, que ventura Do nosso peito extravasa! Há um mês que é a nossa loucura, Que é a jóia da nossa casa...
Mimo não há, nem enleio Que mais alinde as vivendas, Do que um bercinho cheio De laçarotes e rendas.
E nesse ninho de luxo, Com dois berloques e um guiso, Ver um petiz, bem gorducho, Que nos envia um sorriso...
Ah! Nada eu sei de mais preço, Nem nada mais inocente, Do que um sorriso travesso Numa boquinha sem dente!
E ao ver-te, entre o fofo arranjo Do teu bercinho tão doce, Eu sinto bem que és anjo Que Deus ao mundo nos trouxe...
E assim, bebê cor de leite, Com olhos da cor do mar, Tu és o único enfeite Do nosso lar!