Portuguese poem
Sinh'Ana
by Paulo Setúbal (1893–1937)
Sinh'Ana é uma velhota quitandeira, Comadre e amiga desta vila inteira, Rica nos anos, rija na saúde, Que vive toscamente ao pé da estrada, Numa casinha, simples e barreada, Dum pitoresco delicioso e rude.
Ah! Quanta vez, nessas manhãs vermelhas, Cheias de aromas, de canções, de abelhas, Nós dois, numa travessa caminhada, Não vínhamos ali - que bom passeio! - Ver a frescura, a paz, o casto asseio, Da humilde casinhola ao pé da estrada!
E quanta vez também (que ação profana!) Doirâvamos a toca de Sinh'Ana, Com beijos e carícias romanescas, Enquanto a velha, a cândida velhinha, Voltando ingenuamente da cozinha, Trazia um prato de broinhas frescas...