Portuguese poem
Quinze anos
by Paulo Setúbal (1893–1937)
Vestido claro, sombrinha, Fitas de cor no chapéu, Ei-la que vai, pequenininha, Como uma nuvem do céu.
O colo é branco, de neve. Os dentes brancos e sãos. A cinturinha tão breve Que a gente abarca entre as mãos.
Não sei que cor, que palheta, Possa, ao de leve, compor A espiritual silhueta Desses quinze anos em flor.
Doce, gentil, tentadora, Fragílimo bibelot, Lembra uma fina pastora Das pastorais de Watteau.
Alma em botão, menina e moça, Lindo primor de biscuit, É a bonequinha de louça Mais singular que eu já vi.
Tem ela, como dois tesouros, Estes caprichos tafuis: Só gosta de moços louros, Só ama os olhos azuis.
Lá vai... E some á distância O encanto do seu perfil. Mas vai com tanta elegância, É tão jovial, tão gentil,
Tão pluma, tão borboleta, Que a gente, sem o supor, Fica a sonhar na silhueta Desses quinze anos em flor...