Versos Portuguese Paulo Setúbal Os colonos

Portuguese poem

Os colonos

by (1893–1937)

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Lá vem o dia apontando... Que afã! Já todos de pé! Ruidosos, tagarelando, Vão os colonos em bando Para os talhões de café.

À luz do sol que amanhece, Por montes, por barrocais, Por toda a parte esplandece, Com sua esplêndida messe, O verde dos cafezais!

Começa o rude trabalho. Que faina honrada e feliz! Inda molhados de orvalho, Flamejam, em cada galho. Os bagos como rubis.

Trabalham. Que ardor de mouro! Todos derriçam café. Parece um rubro tesouro, Que cai, numa chuva de ouro, Dos ramos de cada pé.

Ao meio-dia, aos ardores Do alto sol canicular, Os rudes trabalhadores, Ao longo dos carreadores, Põem-se todos a cantar.

Pela dormência dos ares, Sob estes céus cor de anil, Cantam canções populares, Que lá, dos seus velhos lares, Trouxeram para o Brasil.

Aqui, um forte italiano, Queimado ao sol do equador, Solta aos ventos, belo e ufano, Num timbre napolitano, A sua voz de tenor!

Há uma terna singeleza Nas trovas que um outro diz; Um rapagão de Veneza Tem, no seu canto, a tristeza Das águas do seu país.

E uma sangüínea espanhola, De grandes olhos fatais, Em baixa voz cantarola Uns quebros de barcarola, Magoados, sentimentais.

Que cantem!. .. Essa cantiga, Brotada no coração, Seja a prece que bendiga A terra que hoje os abriga, A pátria que lhes dá pão!