Portuguese poem
Sob um pessegueiro
by Paulo Setúbal (1893–1937)
Foi pelo tempo alegre da moenda, Quando, aos quinze anos, tudo nos sorria, Que nós tecemos, juntos na fazenda, Toda uma história de infantil poesia.
E sob um pessegueiro, amplo e robusto, Cheio de frutos e de passarinhos, Foi que nós ambos, pálidos de susto, Nos encontramos certa vez, sozinhos.
Tão confusos, tão tímidos ficamos, Ao vermo-nos juntinhos no pomar, Que nós, olhando os pêssegos nos ramos, Nem tínhamos coragem de falar!
Mas de repente - que ventura louca! Ela sorriu-me, trêmula de pejo, E eu lhe furtei da pequenina boca, Um pequenino e delicioso beijo...
Foi desde então que na minhalma eu trouxe, Como lembrança desse amor fagueiro, Esse beijinho estaladinho e doce, Que nós trocamos sob o pessegueiro.