Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Num Album

Portuguese poem

Num Album

by (1828–1912)

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Não vês tu como inconstante Num instante, Ruge o sul, e turba o ceo, E que o mar, quedo, azulado, Brame irado, Sacudindo alto escarceo?

Não tens visto na manhã, Flor louçã, Junto ás aguas rebentar, E á tarde, murcha, pendida, Já sem vida, Sem perfume, a desfolhar?

Pois então queres, amiga, Que eu te diga Que o amor não é assim? Quando tudo empallidece, Se emmurchece, Se desbota, e morre emfim?!

Essas illusões doiradas, Encantadas, Do primeiro albor da vida, São como a rosa louçã, Da manhã, Á tarde n'haste pendida;

São como o ceo azulado, Que doirado Pelo sol de ameno dia, Se escurece de repente Tristemente Por uma nuvem sombria!

E tu não queres, amiga, Que eu te diga Que o amor não é assim? Quando tudo empallidece, Se emmurchece, Se desbota, e morre emfim?!

Agosto de 1848.