Portuguese poem
Para Recitar Ao Piano
by Raimundo António de Bulhão Pato (1828–1912)
(Primeira)
Era no outono quando a imagem tua A luz da lua seductora vi. Lembras-te ainda nessa noite Eliza, Que doce brisa suspirava ali?
Toda de branco, em tua fronte bella, Rosa singela se ostentava então, Vi-te, e perdido de te ver buscava Se me apartava da gentil vizão!
Era debalde; quanto mais te via, Mais me perdia delirante amor; Magicas fallas proferiste incerta, Toda coberta de infantil pudor!
Tremulo, ancioso, quiz pedir-te um beijo Louco desejo pois fugir-te vi! Vendo-me triste para mim voltaste, Não me fallaste; mas eu bem senti!
Fresca, arrobada de perfume a brisa, Lembras-te, Eliza? suspirava então; Tu nos meus braços reclinaste a frente, E meigamente me disseste: Não!
Setembro de 1852.