Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Pois Ser Pallida É Defeito?

Portuguese poem

Pois Ser Pallida É Defeito?

by (1828–1912)

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Pois ser pallida é defeito? E de todo o coração, Diz, pondo a mão sobre o peito, Que um rostosinho desfeito Não pode inspirar paixão?

Ora diga: a rosa é bella Quando o sol lhe accende a cor, É bella sim, mas ao vel-a Desmaiar n'haste singela Não lhe inspira mais amor?

Viçosa, fresca, orvalhada, De manhã é toda luz; Mas á tarde desmaiada, Co'a pallidez namorada, Oh! quanto mais nos seduz!

Está convencida vejo, Deveras não, inda não? Pois se é todo o seu desejo Ser corada, dê-me um beijo, E verá se cora ou não!

Porque esconde o rosto lindo? Santo Deus! descubra-o já! Aposto que vai sentindo Um certo rubor subindo... Ai! como corada está!

Neste espelho, olhe-se agora, Veja bem que linda cor; Quando nasce a fresca aurora, A luz que a face lhe cora, Não tem mais vivo fulgor.

Sorri-se a furto, bem vejo, Occulta o rosto na mão: Pois vamos, agora um beijo, Quem cumpriu o seu desejo, Não merece, diga, não?

Junho de 1852.