Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Xxxvi

Portuguese poem

Xxxvi

by (1828–1912)

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(Terceira)

Lembras-te, Elisa, quando a face pallida, Da casta lua despontou no ceo, E d'entre a balsa suspirada, e languida, Mavioso canto o rouxinol rompeu?

Naquella noite em que o perfume vívido De mato agreste rescendia no ar, Em que as estrellas fulguravam timidas Nas doidas ondas do ceruleo mar!

Lembras-te, dize, quando tu, mirando-me, Com todo o fogo de infantil paixão, Em voz sumida murmuravas: Amo-te! E me apertavas docemente a mão!

E que eu perdido de ventura olhando-te Da meiga lua ao divinal fulgor, Teu rosto de anjo contemplava estatico, Candida pompa de inspirado amor!

Nesse momento fervorosa supplica Do intimo d´alma murmuraste a Deus, Que amor, que encanto nos teus olhos humidos, Quando os cravastes na amplidão dos ceos!

Depois sentada nos degraus de marmore Sombra encantada, celestial visão, Que meigas fallas proferiste tremula, Que mil protestos me juraste então!

Depois as rosas que animavam vívidas Teu bello rosto, desmaiar eu vi E vaga sombra de tristeza subita Cerrar-me forte o coração senti!

Maio de 1853.