Portuguese poem
Xxxv
by Raimundo António de Bulhão Pato (1828–1912)
(Segunda)
De luz, de encanto, de alegria infinda, Aquelle rosto seductor esplende, Brilha a ventura em sua face linda, E vivo fogo o seu olhar accende!
Como a existencia para nós é bella Entre a verdura d'esta amena estancia! Aqui suspira a viração singela, E esparge a rosa virginal fragrancia.
Livres, immunes neste doce enleio, Dos gratos dias do saudoso abril, Ouvir das aves o infantil gorgeio, Gosar da sombra do enredado til...
Ella a meu lado, sobre os meus cravando, Aquelles olhos cuja densa rama, Agora occulta, logo vai deixando, Brilhar o fogo da traidora chamma!
Se entro no baile onde o prazer se agita, Eil-a, a formosa, no veloz passar, Louca os seus olhos nos meus olhos fita, E mil affectos me traduz no olhar!
De luz, de encanto, de alegria infinda, Aquelle rosto seductor esplende; Brilha a ventura em sua face linda, E o ceo no fogo que esse olhar accende!
Abril de 1854.