Portuguese poem
Xvi
by Raimundo António de Bulhão Pato (1828–1912)
É um'hora encantada a que precede O derradeiro adeus do sol explendido! Na pompa de seus raios fulgurantes, Parece escarnecer da scena horrivel Que se aproxima de seu termo agora. Curvado aos pés do monge, em voz sumida Hugo profere a derradeira prece, Prece contricta, humilde, fervorosa. Nessa fronte inclinada e pensativa Bate um raio de luz, porém mais vivo, Mais brilhante reflecte sobre a lamina, Que proxima da victima responde Por um forte, mas lugubre, reflexo.
Como est'hora suprema é dolorosa! O crime fôra atroz, justo o castigo; Mas comtudo o supplicio nesse instante Faz gelar de terror quem o contempla!