Portuguese poem
O Cão e o Urubu
by Sílvio Romero (1851–1914)
C - Guarde-o Deus, seu urubu, E a sua nobre pessoa, Que viva co'o papo cheio Passando uma vida boa.
U - Certamente vou passando Uma vida mais suave; Ultimamente lhe digo Já vi ano favorave. Mas já estou aqui temendo Quando chegar a invernada; Caindo a chuva na terra, A fartura está acabada.
C - Não me dirás, urubu, Como acham vocês rês morta Nem que esteja escondida Lá por dentro de uma grota ?
U- Eu te direi, cachorro, Do modo que nós achamos, A voando pelos ares De lá com a vista bispamos. Depois de termos bispado Fazemos uns peneirados, Fechamos de lá as asas, Trás! na carniça sentados.
C -.................................. Urubu tu te agastaste ?
U - Certamente me agastei, Pois sou um pássaro brioso; Se eu sou esfomeado, Tu és um bicho guloso.