Versos Portuguese Sílvio Romero O Calango

Portuguese poem

O Calango

by (1851–1914)

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Calango fez um sobrado De vinte e cinco janelas Para botar moças brancas, Mulatas cor de canela.

Calango matou um boi, Dele não deu a ninguém; Lagartixa respondeu: — Calango fez muito bem.

O Calango foi à feira Em traje de gente rica; Lagartixa respondeu: — Calango, você lá fica.

O Calango foi à festa Montado numa leitoa; Lagartixa respondeu: — Calango não é pessoa.

Calango estava deitado Na proa do seu navio;

Lagartixa respondeu: — Calango, tu és vadio.

Calango saiu à rua, Montado numa perua; Lagartixa respondeu:, — Vejo que a tola está nua.

Calango foi convidado Para ser juiz de paz; Lagartixa respondeu: — Calango veja o que faz.

Calango foi à Bahia Com seu barco de feijão; Lagartixa respondeu: — Cada bage é um tostão.

O Calango é bicho porco, Num folguedo quis entrar; Lagartixa respondeu: — Calango, vai-te lavar.

Calango foi convidado Para ser um presidente; Lagartixa respondeu: — Calango, me traz um pente

Minha gente, venha ver Cousa de fazer horror: Lagartixa de chinelas, Calango de paletô.