Portuguese poem
O Ladrão de Padrezinho
by Sílvio Romero (1851–1914)
O ladrão do padrezinho Deu agora em namorador; Padre, você vá-se embora, Que eu não quero o seu amor. — O amor não é seu E' de Rafael; Rafael quando for É de quem quiser... , Vou criar as minhas raivas Com meus calundus, Pra fazer as cousinhas Que eu bem quiser... Ai! me largue o babado! Ai! me largue, diacho! Que diacho de padre, Ai, meu Deus! Que diacho de padre, Meu Santo Antonio!...
O padre já estava orando, Quando a mulata chegou; Veio dizer lá de dentro: — Eu sou seu venerador: O amor não é seu, É de Rafael; Rafael quando for, etc.
O padre foi dizer missa Lá na torre de Belém; Em vez de dizer Oremus, Chamou Maricas — Meu bem!... O amor não é seu, É de Rafael; Rafael quando for, etc.
Eu perguntei ao padre: Porque deu em meu irmão? — Com saudades das morenas, Não quero ser padre, não. O amor não é seu, É de Rafael; Rafael quando for, etc.