Portuguese poem
Os Cocós de Cordão
by Sílvio Romero (1851–1914)
A minha mana Luiza É moça de opinião; Passou a mão na tesoura, Deu com os cocos no chão.
Sete camadas de azeite, Banha de camaleão É pouco pra fazer banha Pra estes cocos de cordão.
O sebo está muito caro, 'Stá valendo um dinheirão; Quero ver com que se acocham Estes cocos de cordão.
Os caixeiros da Estância Levam grande repelão, Para não venderem sebo Pra estes cocos de cordão.
Deus permita que não chova, Pra não haver algodão; Quero ver com que se amarram Estes cocos de cordão.
Na fonte da gameleira Não se lava com sabão; Se lavam com folhas verdes Estes cocos de cordão.
As negras de tabuleiro Não comem mais carne, não; So comem sebo de tripa Destes cocos de cordão.
O moço que é brasileiro, Que conserva opinião, Não deita na sua rede Destes cocos de cordão.
Ajuntem-se as moças todas Em redor deste pilão, Qu'é pra pisarem o sebo Pra estes cocos de cordão.
Ajuntem-se as velhas todas Em roda do violão, Qu'é pra dançarem o samba Destes cocos de cordão.