Portuguese poem
O Lucas da Feira
by Sílvio Romero (1851–1914)
A deus, terra do limão, Terra onde fui nascido; Vou preso para a Bahia, Levo saudades comigo. Eu vou preso pra Bahia, Eu vou preso, não vou só, Só levo um pesar comigo: É da filha do major. Eu vou preso pra Bahia. Levo guarda e sentinelas, Para saber quanto custa Honra de moças donzelas. Estes sócios meus amigos De mim não têm que dizer; Que por eu me ver perdido Não boto outra a perder. Estes sócios meus amigos A mim fizeram traição; Ganharam o seu dinheiro, Me entregaram à prisão. Meus amigos me diziam Que deixasse de função, Que o Casumbá por dinheiro Fazia as vezes do cão. Vindo eu de lá da festa De Sam Gonçalo dos Campos, Com o susto do Casumbá Caiu-me a espada da mão. Já me quebraram o braço, Já me vou a enforcar; Como sei que a morte é certa Vou morrendo devagar. Quando na Bahia entrei Vi muita cara faceira; Brancos e pretos gritando: — Lá vem O Lucas da Feira! Quando eu no Rio entrei Caiu-me a cara no chão; A rainha veio dizendo: — Lá vem a cara do cão.