Portuguese poem
Lyra VI
by Tomás Antônio Gonzaga (1744–1810)
Traducção.
Amor que seus passos Ligeiro movia, Por mil embaraços Que hum bosque tecia.
Nos hombros me acena Com brando raminho; E logo me ordena Que siga o caminho.
Por entre a espessura Do bosque me avanço: E a traz da ventura Incauto me lanço.
Já tinha calcado Os montes mais duros: C'o peito rasgado Os rios escuros.
Eis que huma serpente A lingua vibrando, Me crava o seu dente, Me deixa espirando.
Então surprendida Da dôr que a traspassa, Minha alma ferida Aos beiços se passa.
As iras detesta Amor isto vendo, E as azas na testa Me bate dizendo:
Tu choras, tu gemes Da Serpe tocado, E o braço não temes De hum Numen irado?