Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga Lyra VII

Portuguese poem

Lyra VII

by (1744–1810)

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Vou retratar a Marilia, A Marilia meus amores; Porém como, se eu não vejo Quem me empreste as finas cores! Dar-mas a terra não póde; Não que a sua côr mimosa Vence o lyrio, vence a rosa: O jasmim, e as outras flores. Ah soccorre, Amor, soccorre Ao mais grato empenho meu! Vôa sobre os Astros, vôa, Traze-me as tintas do Ceo.

Mas não se esmoreça logo; Busquemos hum pouco mais; Nos mares talvez se encontrem Cores que sejão iguaes. Porém não, que em parallelo Da minha Ninfa adorada Perolas não valem nada, Não valem nada os coraes. Ah soccorre, Amor, soccorre Ao mais grato empenho meu! Vôa sobre os Astros, vôa, Traze-me as tintas do Ceo.

Só no Ceo achar se podem Taes bellezas, como aquellas, Que Marilia tem nos olhos, E que tem nas faces bellas. Mas ás faces graciosas, Aos negros olhos, que matão, Não imitão, não retratão Nem Auroras, nem Estrellas. Ah soccorre, Amor, soccorre Ao mais grato empenho meu! Vôa sobre os Astros, vôa, Traz-me as tintas do Ceo.

Entremos, Amor, entremos, Entremos na mesma Esfera. Venha Pallas, Venha Juno, Venha a Deosa de Cithera. Porém não, que se Marilia No certame antigo entrasse, Bem que a Paris não peitasse, A todas as tres vencera. Vai-te, Amor, em vão soccorres Ao mais grato empenho meu: Para formar-lhe o retrato Não bastão tintas do Ceo.