Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga Lyra X

Portuguese poem

Lyra X

by (1744–1810)

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Se existe hum peito, Que izento viva Da chamma activa, Que accende Amor. Ah! não habite Neste montado; Fuja apressado Do vil traidor.

Corra, que o Impio Aqui se esconde: Não sei aonde; Mas sei o que vi. Traz novas settas, Arco robusto; Tremi de susto; Em vão fugi.

Eu vou mostrar-vos, Tristes mortaes, Quantos signaes O Impio tem. Oh! como he justo, Que todo o humano Hum tal tyranno Conheça bem!

No corpo ainda Menino existe: Mas quem resiste Ao braço seu? Ao negro Inferno Levou a guerra: Vencêo a terra, Vencêo o Ceo.

Já mais se cobrem Seus membros bellos; E os seus cabellos Que lindos são! Vendados olhos, Que tudo alcanção, E já mais lanção A setta em vão.

As suas faces São côr da neve; E a bocca breve Só rizos tem. Mas, ah! respira Negros venenos, Que nem ao menos Os olhos vem.

Aljava grande Dependurada, Sempre atacada De bons farpões. Fere com estas Agudas lanças, Pombinhas mansas, Bravos leões.

Se a setta falta Tem outra prompta, Que a dura ponta Já mais torcêo. Ninguem resiste Aos golpes della: Marilia bella Foi quem lha dêo.

Ah! não sustente Dura peleija, O que deseja Ser vencedor. Fuja, e não olhe, Que só fugindo De hum rosto lindo, Se vence Amor.