Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Conde Nillo

Portuguese poem

Conde Nillo

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Conde Nillo, conde Nillo Seu cavallo vai banhar; Em quanto o cavallo bebe, Armou um lindo cantar. Com o escuro que fazia Elrei não o póde avistar. Mal sabe a pobre da infanta Se hade rir, se hade chorar. —‘Calla, minha filha, escuta, Ouvirás um bel cantar: Ou são os anjos no ceo, Ou a sereia no mar.’ —‘Não são os anjos no ceo, Nem a sereia no mar: É o conde Nillo, meu pae, Que commigo quer casar.’ —‘Quem falla no conde Nillo, Quem se atreve a nomear Esse vassallo rebelde Que eu mandei desterrar?’ —‘Senhor, a culpa é só minha, A mim deveis castigar: Não posso viver sem elle... Fui eu que o mandei chamar.’ —‘Calla-te, filha traidora, Não te queiras deshonrar. Antes que o dia amanheça Ve-lo-has ir a degollar.’ —‘Algoz que o mattar a elle, A mim me tem de mattar; Adonde a cova lhe abrirem, A mim me têem de interrar.’

Por quem dobra aquella campa, Por quem está a dobrar? —‘Morto é o conde Nillo, A infanta ja a expirar. Abertas estão as covas, Agora os vão interrar: Elle no adro da egreja, A infanta ao pé do altar.’ De um nascêra um cypreste, E do outro um laranjal; Um crescia, outro crescia, Co’as pontas se iam beijar. Elrei, apenas tal soube, Logo os mandára cortar. Um deitava sangue vivo, O outro sangue real; De um nascêra uma pomba, De outro um pombo torquaz. Senta-se elrei a comer, Na mesa lhe iam poisar: —‘Mal haja tanto querer, E mal haja tanto amar! Nem na vida nem na morte Nunca os pude separar.’