Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Carta De Dom Carloto A Dom Roldão

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Carta De Dom Carloto A Dom Roldão

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Caudilho de gran’ podêr, Capitão da christandade, Ésta vos quiz escrever, Para vos fazer saber Minha gran’ necessidade. Porque o verdadeiro amigo Hade ser no coração, Assim como fiel irmão, E não nade temer p’rigo Por salvar quem tem razão. Porque sabereis, senhor, Que me sinto mui culpado, Como quem foi mattador; E temo ser condemnado De meu padre imperador. Eu confesso que pequei, Pois com vontade damnosa A Valdevinos mattei. Amor me fez com que errei, E o primor de sua esposa. O imperador, meu padre, Me mandou prêso guardar, E nunca quiz attentar, Os rogos de minha madre. A ninguem quer escutar, E o marquez tem jurado De não vestir nem calçar, Nem entrar em povoado, Até me ver justiçar. Tenho por accusadores, Reinaldos de Montalvão, E seu padre o duque Amão E muitos grandes senhores; O gran’ duque de Milão Com o forte Montesinos, Que é primo de Valdevinos. Assim que todos me são Accusadores continuos. Pois tantos contra mim são, Eu vos rogo, como amigo, Que vós queirais ser commigo; Porque, tendo Dom Roldão, Não temo nenhum perigo.