Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Cascaes

Portuguese poem

Cascaes

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Acabava alli a terra Nos derradeiros rochedos, A deserta arida serra Por entre os negros penedos Só deixa viver mesquinho Triste pinheiro maninho.

E os ventos despregados Sopravam rijos na rama, E os ceos turvos, annuviados, O mar que incessante brama... Tudo alli era braveza De selvagem natureza.

Ahi, na quebra do monte, Entre uns juncos mal-medrados, Sêcco o rio, sêcca a fonte, Hervas e matos queimados, Ahi n’essa bruta serra, Ahi foi um ceo na terra.

Alli sós no mundo, sós, Sancto Deus! como vivemos! Como eramos tudo nós E de nada mais soubemos! Como nos folgava a vida De tudo o mais esquecida!

Que longos bejos sem fim, Que fallar dos olhos mudo! Como ella vivia em mim, Como eu tinha n’ella tudo, Minha alma em sua razão Meu sangue em seu coração!

Os anjos aquelles dias Contaram na eternidade: Que essas horas fugidias, Seculos na intensidade, Por millenios marca Deus Quando as dá aos que são seus.

Ai! sim foi a tragos largos, Longos, fundos que a bebi Do prazer a taça:--amargos Depois... depois os senti Os travos que ella deixou... Mas como eu ninguem gosou.

Ninguem: que é preciso amar Como eu amei--ser amado Como eu fui; dar, e tomar Do outro ser a quem se ha dado, Toda a razão, toda a vida Que em nós se annulla perdida.

Ai, ai! que pesados annos Tardios depois vieram! Oh, que fataes desinganos, Ramo a ramo, a desfizeram A minha choça na serra, Lá onde se acaba a terra!

Se o visse... não quero vê-lo Aquelle sítio incantado; Certo estou não conhecê-lo, Tam outro estará mudado, Mudado como eu, como ella, Que a vejo sem conhecê-la!

Inda alli acaba a terra, Mas ja o ceo não começa: Que aquella visão da serra Sumiu-se na treva espessa, E deixou nua a bruteza D’essa agreste natureza.

XX.