Portuguese poem
I
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
Onde vas tam alva e linda, Mas tam triste e pensativa Pura, celeste Adozinda, Da côr da singella rosa Que nasceu ao-pé do rio? Tam ingenua, tam formosa Como a flor, das flores brio Que em serena madrugada Abre o seio descuidada A doce manhan d’Abril! —Roupas de seda que leva Alvas de neve que cega Como os picos do Gerez Quando em Janeiro lhe neva. Cinto côr de violeta Que á sombra desabrochou; Cintura mais delicada Nunca outro cinto apertou. Anneis louros do cabello Como o sol resplandecentes Folgam soltos; dá-lh’o vento, Dá no veo ligeiro e bello, Veo por suas mãos bordado, De um sancto ermitão fadado Que vinha da Palestina; Passou pelo povoado, Foi-se direito ao castello Pediu pousada, e lh’a deram Porque intercede a menina: Que o pae suberbo e descrido, —‘N’essa gente peregrina, Disse, quem sabe o que vem?’ —Mas pede Adozinda bella, Tal virtude e formosura, Quem lh’o hade negar a ella? Não póde o pae nem ninguem.
More by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
All 225 poems by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett