Portuguese poem
Ignoto Deo
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
D. D. D.
Creio em ti, Deus: a fe viva De minha alma a ti se eleva. Es:--o que es não sei. Deriva Meu ser do teu: luz... e treva, Em que--indistinctas!--se involve Este espirito agitado, De ti vem, a ti devolve. O Nada, a que foi roubado Pelo sôpro creador Tudo o mais, o hade tragar. Só vive de eterno ardor O que está sempre a aspirar Ao infinito d’onde veio. Belleza es tu, luz es tu, Verdade es tu só. Não creio Senão em ti; o ôlho nu Do homem não ve na terra Mais que a dúvida a incerteza, A fórma que ingana e erra. Essencia! a real belleza, O puro amor--o prazer Que não fatiga e não gasta... Só por ti os póde ver O que inspirado se affasta, Ignoto Deus, das ronceiras, Vulgares turbas: despidos Das coisas vans e grosseiras Sua alma, razão, sentidos, A ti se dão, em ti vida, E por ti vida teem. Eu, consagrado A teu altar, me prostro e a combatida Existencia aqui ponho, aqui votado Fica este livro--confissão sincera Da alma que a ti voou e em ti só spera.
II.