Portuguese poem
Iii
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
Desde aquella madrugada Que Adozinda em seu balcão Fallou c’o velho ermitão, De noite á grutta fadada Sempre vai. Sibille o vento No bosque medonho e feio, Ás nuvens o pardo seio Rasgue horrisono trovão, Nada teme; a passo lento, Só, para alli se incaminha E em rezas, em penitencia Horas longas jaz sosinha. Talvez d’aquelle romeiro, Por salutar providencia, Seu fado lhe foi preditto; Talvez lhe fôsse prescritto Por tam sancto conselheiro Que passasse em oração N’aquellas medonhas fragas Certas horas aziagas Em que a fatal conjuncção D’um astro seu inimigo Maior fizesse o perigo Da terrivel maldicção Que a persegue,—ella inocente!— Que tam injusta cahiu N’aquella votada frente... Mas diz que não ha condão Peior que o da maldicção! E quantas não attrahiu Sôbre a familia inculpada A suberba despiedada D’esse orgulhoso Sisnando? Quantas vezes o infeliz, C’os filhinhos expirando, Á porta do seu castello Se viu gemendo e chorando, E o desalmado senhor Essa gentalha atrevida Escorrassar a mandou! Taes peccados não guardou Para os punir na outra vida O supremo Arbitrador.