Portuguese poem
Xvii
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
Do castello para um lado Uma antiga tôrre havia Cercada de largos fossos, Que é memoria haver fundado Um rei mouro que vivia Ha muito, de quando os nossos Mourisca gente regia. Alli uma espôsa sua, Que elle achou ser-lhe infiel, Sette annos e mais um dia Fechada a teve o cruel, Sozinha, a grilhões e nua; E só pão sêcco lhe dava, Mas agua não consentia Que nunca ninguem lh’a desse Para que á sêde morresse. Valeu-lhe quem tudo póde, Que ao infeliz sempre accode: Vinha-lhe orvalho do ceo, De que os sette annos bebeu. E emfim o septimo anno De tal milagre vencido Foi o proprio rei tyranno, Que a liberdade lhe deu, E do crime commettido, Se o havia, se esqueceu.
More by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
All 225 poems by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett