Portuguese poem
Ao amor
by Adélia Josefina de Castro Fonseca (1827–1920)
Amor! teu nome querido Quanto é dòce proferir! Mas quanto não é mais dòce No coração te sentir!
Nume, que as almas abrasas Co'a chamma dos fogos teus Immensa como o oceano, Infinita como Deus!
Não seres illimitado, Fôra loucura pensar; Ao teu despotico império Quem póde um termo assignar?
Nos corações onde reinas, Tens poder mysterioso; Ao bom, as vezes, máu tornas ; Tornas ao máu, virtuoso!
Ou feliz, ou desgraçado Possuir-te é bem superno, Quer ao céo nos arrebates, Quer nos despenhes no inferno!!
Inferno?!... ao seio onde existas Póde tal nome caber? Póde soffrer d'elle as penas Quem n'alma altares te erguer?!
De tuas magas virtudes A mais celeste, a mais pura, É permittires que achemos No soffrimento a doçura!
É fazeres que teus golpes Queiramos antes soffrer, Que sentir no peito um vácuo Que mais nada póde encher!
Do mundo as realidades, Que mais cobiçadas são, Amor! amor! eu não tróco Por uma tua illusão!
Amor! qual eu te imagino Nos dourados sonhos meus, És um resumo das glorias, Das harmonias de Deus!