Portuguese poem
À Violeta
by Adélia Josefina de Castro Fonseca (1827–1920)
Si o Eterno, n’um sorriso, Te colheu no paraiso, Onde vivias tão pura; Si, no seu sôpro celeste Á terra um dia vieste Adoçar nossa amargura;
Porque, modesta florinha, Occultas recatadinha A tua divina essencia? O teu segredo é trahido; Esse aroma tão subido Te denuncia a existencia.
Quando ao universo baixaste, Porque esse nome mudaste, Que te cabe de direito? Tu, que até foges ás brisas, Melhor que outra symbolisas O sublime —amor perfeito.—
Oh! não deixes que outra flor Use o nome encantador Que possuias no céu;
A presumida bem sabe Que esse nome a ti só cabe, Que esse nome é todo teu.
Tem ella maior frescura, Mais tocante formosura, Tem o teu celeste odor? Vive acaso, flor querida, Como tu, casta, escondida, Retratando o puro amor?
Captiva a sua lindeza Mais que a tua singeleza, Encanto de quem te vê? Tem, aos olhos da poesia, Para attrahir, a magia Do teu raro não-sei-quê?
Porque, modesta florinha, Occultas, recatadinha, A tua divina essencia? O teu segredo é trahido; Esse aroma tão subido Te denuncia a existencia.
Retoma, pois, flor celeste, Esse nome que tiveste, Que te cabe de direito; Tu, que até foges ás brisas, Melhor que outra symbolisas O sublime —amor perfeito.—