Portuguese poem
A S. M. a Imperatriz
by Adélia Josefina de Castro Fonseca (1827–1920)
Formosa estrella d'Italia, Que vieste, do Brasil O céu, tão cheio d'encantos, Tornar inda mais gentil;
Que deixaste o velho mundo, Suas grandezas, seu povo, Para vir 'n outro hemispherio Aditar um mundo novo;
Depois que meiga te vejo Fulgurando na Bahia, 'Nesta plaga que Moêma Encheu de tanta poesia,
Acho-a mais leda, mais bella; E, pois que mais me seduz, Não me roubes este enlêvo, Privando-a da tua luz!
Mas ah! como em minha terra, Que tantas glorias encerra, Has de ostentar teu fulgor, Si além dous anjos mimosos, Que te reclamam saudosos, Carecem do teu amor?
Dous seraphins que o Eterno Ao teu carinho materno, Tão providente, deixou,
Como doce recompensa Da dôr que soffreste, immensa, Quando outros dous te levou.
Vai, archanjo de bondade, A sua, a tua saudade, Pressurosa mitigar! Possam lagrimas d’ausencia D’esses anjos d’innocencia As caricias enxugar!
Possam elles, exercendo As virtudes de seus pais, Acalantar, caridosos, Dos desgraçados os ais!
É assim que seus diademas Um dia mais fulgirão, Imitando a do Calvario Sublime, santa missão.
Então teus vótos ardentes Serão, THEREZA, cumpridos, Vendo os dous anjos cobertos Das bênçãos dos desvalidos.
Eu, que só tenho no mundo O amor grato e profundo, Com que meu peito enriqueço, A ti, que déste-me a vida, 'N uma esperança perdida, Esse amor puro offereço.
Como a Santa milagrosa, Que 'n esta vida penosa Nos acceita a devoção, Acolhe tu, adorada Imperatriz sublimada, Meu hymno de gratidão!