Portuguese poem
Atração e Repulsão
by Adelino Fontoura (1859–1884)
Eu nada mais sonhava nem queria Que de ti não viesse, ou não falasse; E como a ti te amei, que alguém te amasse, Coisa incrível até me parecia.
Uma estrela mais lúcida eu não via Que nesta vida os passos me guiasse, E tinha fé, cuidando que encontrasse, Após tanta amargura, uma alegria.
Mas tão cedo extinguiste este risonho, Este encantado e deleitoso engano, Que o bem que achar supus, já não suponho.
Vejo, enfim, que és um peito desumano; Se fui té junto a ti de sonho em sonho, Voltei de desengano em desengano.