Portuguese poem
Borghi Mamo
by Adelino Fontoura (1859–1884)
Ao doce timbre harmonioso e brando Da tua voz, ó alma enamorada, Sinto minha alma em sonhos embalada E como que eu também fico sonhando!
Como agitava o vento, perpassando, A harpa eólea no salgueiro alada, Tal me agita essa voz apaixonada Quando, ó ave de amor, surges cantando.
Ouvir-te é como ver nascer a aurora: Tudo inunda de luz, tudo ilumina A tua voz angélica e sonora.
Solta, pois, a volata peregrina! Ama, geme, soluça, canta e chora, Celeste Aída, Malibran divina!
Rio, 1882.