Portuguese poem
Segunda Serie — III (Oh, como surge magestosa e…)
by Alexandre Herculano (1810–1877)
Oh, como surge magestosa e bella, Com viço da creação, a naturesa, No solitario valle!—E o leve insecto, E a relva, e os matos, e a fragrancia pura Das boninas da encosta estão contando Mil saudades de Deus, que os ha lançado, Com mão profusa, no regaço ameno Da solidão, onde se esconda o justo.
E lá campeam no alto das montanhas Os escalvados pincaros, severos, Quaes guardadores de um logar que é sancto: Atalaias que ao longe o mundo observam, Cerrando até o mar o ultimo abrigo Da crença viva, da oração piedosa, Que se ergue a Deus de labios innocentes.
Sobre esta scena o sol verte em torrentes Da manhan o clarão; a brisa esvae-se Por esses matos de alecrim florído, Embalsamando o ar de brando aroma: O rocío da noite á rosa agreste No seio derramou frescor suave, E 'inda existencia lhe dará um dia!
Formoso ermo do sul, outra vez, salve!
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